O Saci assobia e pede passagem!

Monteiro Lobato, no Estado de São Paulo, tornou-se no dia 20 de agosto a primeira cidade do país a eleger o Saci Perêrê como seu símbolo. Mesmo com uma perna só, o Saci derrotou seus quatro oponentes, conquistando dois terços dos votos lobatenses.

O causo eu conto como o caso foi

Algumas semanas atrás, um grupo de ilustres representantes de Monteiro Lobato procurou a prefeitura, visando a impulsionar a economia da cidade, com a proposta de criar um símbolo que atraísse turistas. E comunicaram que o símbolo já havia sido escolhido: o pica-pau amarelo. A decisão surpreendeu: “Mas quem escolheu?”, perguntou um incauto. Os eméritos cidadãos não vacilaram: “É o símbolo que o povo quer, sabemos disso.” A prefeitura propôs, então, que fosse feita uma consulta às bases – o povo.

E assim foi feito. Do resultado dessa consulta surgiram cinco símbolos a serem escolhidos: o pica-pau amarelo, o livro, o sabiá-laranjeira, a sibipiruna (árvore que predomina na cidade) e ele, o Saci Perêrê, com apoio da Sociedade dos Observadores de Saci – SOSACI, que nomeou um saciólogo, o Mirra, para acompanhar o pleito. A eleição foi marcada para os dias 19 e 20 de agosto. Poderiam votar todos os cidadãos lobatenses com idade superior a 10 anos.

Ao final da tarde do dia 20, as urnas foram abertas: o Saci emplacou com 532 votos (66% do total), deixando o pica-pau bicando o vazio com apenas 174...

A instabilidade da mesa

Pouco após a divulgação do resultado, o padre de Monteiro Lobato procurou a prefeitura para reclamar e tentar virar a mesa: a cidade não podia ter o Saci como símbolo; isso era coisa do Satanás; sujava o bom nome de Monteiro Lobato; o povo tinha sido usado, manipulado; e, mais grave, o representante da SOSACI, o Mirra, teria utilizado meios discutíveis durante a “boca de urna”, distribuindo pirulitos entre a criançada! Era, portanto, o caso de ser criada uma CPI do Saci para apurar a lisura do processo eleitoral e, eventualmente, cassar o perneta...

Foi lembrado ao piedoso sacerdote que a Lei, aprovada pela Assembléia Legislativa de São Paulo, que institui o Dia do Saci e Seus Amigos (31 de outubro) fora de autoria de um colega seu, o deputado estadual do PV, Padre Afonso Lobato, que dificilmente poderia ser suspeito de ser um acólito de Lúcifer.

O Saci pede passagem

Para a SOSACI, as denúncias envolvendo o insigne perneta no episódio dos pirulitos vêm em boa hora, pois agora, fortalecida pela expressiva votação obtida em Monteiro Lobato, a Sociedade chegou à conclusão que não necessita de marqueteiros, tampouco de subterfúgios, para viabilizar a festa maior do Saci, em 31 de outubro.

Consultados, alguns membros do CA (Conselho de Anciãos) manifestaram-se de forma otimista. É, agora que o Saci ganha maior visibilidade, tornando-se o símbolo

 


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