Saci aparece de repente e faz a festa em São Luiz

A SOSACI e a comunidade comemoravam o dia dele, em São Luiz do Paraitinga. O dia 31 de outubro de 2004 vai ficar marcado na mente de todos aqueles que animavam a festa. Pela manhã, o sucesso do passeio Saciclístico, entre trilhas povoadas de histórias contadas pelo Ditão e finalizada nos últimos 800 metros com a cambada pedalando com um pé só. À tarde, foi a vez de a criançada se divertir a valer com a graça e a animação da moçadinha do Projeto Pimentinha, sob a batuta da Ana Maia, e com as brincadeiras e as traquinagens aprontadas pelo Ganso de Ouro, espetáculo infantil espetacular com Wagner Jabá, Renatinho e Amaral. Sem falar, é claro, do ataque ao bolo do Saci, que, embora enorme, por pouco não agüenta o tranco.

E eis que surge o Saci

No início da noite, todas as atenções se voltaram para a exibição do filme O Saci, de Rodolfo Nani. Na rua, tudo pronto: potente projetor e o telão, preso e bem amarrado, em frente ao palanque. Sete e meia da noite, todos devidamente sentados na rua e nas calçadas, começa a projeção. A história rola, ninguém desgruda os olhos. Até que chega o momento em que aumenta o clima. Pedrinho sai para a mata, para colocar em prática os ensinamentos do avô, que lhe havia explicado tim-tim por tim-tim a maneira mais fácil de se capturar um Saci. E foi aí, então, que tudo aconteceu: quando Pedrinho vê o redemoinho e dele se aproxima, porque o Saci começa a aparecer, a rua é invadida por um redemoinho de verdade. O pé de vento enrola o telão, arranca-o do palco e o joga longe. Começa a chover. As pessoas saem correndo, mas não havia nada a temer. Do mesmo jeito que veio, o Saci se foi sorridente com o fuzuê que acabara de causar. Foi o assunto do resto da noite e a opinião parecia consensual: o Saci saíra da beira do rio, pra fazer aquela lambança toda e pra deixar bastante claro que ele não gosta de ser capturado, nem em filme.

Estripulia feita e acatada por todos, o negócio foi esquecer do filme e partir direto para o “Sol Nascente”, onde rolava solto o Raloim Caipira. A Nê, coitada, não dava conta de trazer as abóboras com carne seca, que eram traçadas sem dó nem piedade pelos defensores do Saci e seus Amigos, sob xingamentos contra a bruxa do Bush.

Música até de madrugada

Mas a festa não parou aí. Na segunda, do começo da tarde até as primeiras horas do dia seguinte, São Luiz viveu intensamente música, arte e alegria. Passaram pelo palco o Trio Carapiá com o grupo Ribeira, o Trio Uiarapuru, o grupo Pífanos Flautins Matuá (que surgiu da ponte e se apresentou na rua, envolvendo a todos com o seu encanto), o Quarteto Perêrê, a Suzana Salles, o Lenine e o mestre Ivan Vilela, com o lançamento do CD “Caipira”, o Rui Weber, o Marcos Coin e a Jurema Gale, além da banda Os Estrambelhados, formada por uma turma de garotos notáveis de São Luiz e que abalou as estruturas levando a multidão ao delírio até o início da madruga. Foi mesmo um festão. E se aprepara bem apreparado que no ano que vem tem mais.


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