Saci-pererê
Darcy Breves de Almeida
Seu João Moreira, trabalhador
da mina de carvão, em Caçapava, quase não tinha tempo
para buscar lenha para seu fogão.
Morava sozinho, numa casinha com dois cômodos, de pau-a-pique, com barrote,
e acordava às 5h para fazer café e trabalhar. Só retornava
ao anoitecer com a lenha que recolhia no intervalo do almoço, quando
dava tempo.
Certo dia, ao abrir a porta para ir ao serviço, deparou com um feixe
de gravetos secos amarrados com cipós. Achou bom, mas quis saber quem
era aquela pessoa bondosa. Não descobriu e ainda ficou mais assustado
porque o fato se repetiu muitas vezes.
Resolveu espiar por um buraco da parede, na noite escura, mas com a ajuda
do clarão da lua. Quase morreu de susto. Era um moleque escuro, com
uma touca na cabeça, assobiando e pulando com uma perna só.
Estava desvendado o mistério, seu ajudante nada mais era o Saci Pererê,
mas nem assim seus companheiros acreditaram.
Por muito tempo pôde contar com a ajuda do endiabrado Saci.
E você, acredita em Saci?
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