Um Saci em minha vida...
Carlos Eduardo Pestana Magalhães (Gato)
Outro dia tava andando na rua, cabisbaixo,
saco cheio, muito puto nas calças, chutando velhinhas desavisadas e
cachorros mansos. Sentei num banco de uma praça, rosnando baixo. Tava
tão brabo, que nem vespa passava por perto. Se passasse, mordia, mastigava,
engolia e cuspia o ferrão. Sem perceber, um moleque de chapéu
vermelho e um cachimbo ridículo na boca sentou ao meu lado. Senti uma
mão passando na minha cabeça e ao me virar, recebi um beliscão
na bunda, daqueles bem dolorido.
Gritei
de dor e saltei do banco. O moleque, todo pretinho e sem uma perna, passou
por mim, dando risada e soltando baforadas. Fiquei olhando pra ele que nem
bobo. Reconheci o Saci. Mas, Saci não existe! Como... Num salto acrobático,
veio pra cima de mim. Derrubou-me, sentou na minha barriga e começou
a fazer cócegas no meu corpo.
De
início, fiquei brabo. Tentei me levantar e não consegui. E as
cócegas continuaram, aumentando a intensidade. Comecei a rir. Não,
comecei a gargalhar, rindo igual a um louco. Ri tanto, que mijei nas calças.
Nem liguei... Fiquei nessa um tempão e quando não agüentava
mais, o Saci parou e ficou me olhando com olhos amigos. Fui voltando ao normal,
sempre olhando aqueles olhos castanhos. Percebi que ao meu lado havia algumas
pessoas. Olhavam e cochichavam baixinho.
E o Saci ali, sentado na minha barriga, numa boa. Quando parei de rir totalmente, estava leve, tranqüilo, numa boa. Todo mijado, mas bem. O Saci levantou, deu uma baforada em minha direção, sorriu, deu pulo fantástico e sumiu...
Fiquei um tempo sentado no chão, pensando. As pessoas, aos poucos,
foram indo embora. Levantei, fui pra casa. No caminho vi um monte de Sacis
pulando e me sorrindo. Sorria de volta, às vezes rindo.
Nunca mais deixei de ver Sacis. Eles são ótimos...
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