Esperança.
Autor: Luiz Felipe Gallo
Era tarde da noite, numa estrada
de terra, entre Iperó e Tatuí, interior de São Paulo,
estávamos numa velocidade considerável, pois na manhã
seguinte tínhamos um compromisso inadiável na capital. Porém,
diante das pedras, desvios e buracos daquela tortuosa estrada, batemos em
alguém ou alguma coisa. Foi de raspão, mas perceptível,
a ponto de pararmos o carro. Demos uma ré, para que as luzes do carro
nos mostrassem o animal que havíamos atingido, porém percebemos
que não era um animal qualquer. A primeira impressão foi de
ser o famoso Chupa-cabra, pois estava em voga naquele tempo, 1997, até
canais de televisão estavam nas redondezas atrás do bichano.
Porém, quando iluminamos o local observamos algo inusitado, havia pegadas
humanas, mas de apenas um pé, hesitei no começo, mas era inevitável
de negar diante das pegadas, era um Saci! Procuramos por toda a parte, porém
sem sucesso. Como, felizmente, não pegamos o pobre Saci em cheio, ele
deve ter conseguido ir para algum lugar mais seguro. Porém, quando
procurávamos o ser atropelado, encontrei um gorro, não desses
que a gente vê em livros, vermelhinho, bonitinho. Era um gorro feito
com algo muito parecido com saco, daqueles de ensacar arroz e outros grãos,
estava todo sujo. Mas fiquei com ele e todos os anos, desde 1997, faço
trilhas com meus amigos por essa estrada. Nunca disse para os outros amigos
o por quê de sempre fazer aquela trilha pela mesma estrada, mas o problema
é que eu devo algo para alguém daquele local, estou com algo
que não me pertence e sim a ele, e tenho a esperança de um dia
poder devolvê-la e pedir perdão pelo acidente.
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