Saci Urbano
Autor:
Milton Joventino dos Santos
Guaratuba,
no litoral do Paraná, era uma pequena localidade que tinha uma colina
ou morro bem no meio da cidade. Não estava toda habitada, somente na
base da colina havia algumas moradias. Os meninos, quase todos nascidos e
criados naquela área, brincavam de bolinha de gude, pipa, figurinhas
no bafo e esconde-esconde ou pega-pega.
Ali naquela área, todos usavam a mata para esconder alguma coisa pessoal,
algumas até inconfessáveis.
E o Deda chegou, todo pálido, e com a respiração ofegante,
sempre tinha uma nova estória para contar. Morava ali perto, no sopé
do morro, e desta vez, estava apavorado. Tinha visto um Saci Pererê
no momento em que foi buscar suas bolinhas de gude no mato. Ele as escondia
lá, por causa de seus irmãos. Procurou em todos os lugares e
nada. Foi aí que viu um redemoinho entre as árvores, e dali
saiu um Saci com um saquinho na mão, que fazia aquele barulhinho característico.
Ficou com as pernas moles, paradão sem poder se mexer. E o Saci foi
embora com suas preciosidades, todo feliz.
Aí, o Caniço que era metido a fazer perguntas cretinas, sapecou:
“Ô Deda, me diz aí, qual é a perna que estava faltando
no Saci, era a direita ou esquerda?”. E o Deda, sem pestanejar, falou:
“Não deu pra ver, ele estava de lado”.
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