Saci no oco do pau e outras coisas que eu vi


Autor: Maria C. F. Nogueira

Sabe, eu moro em uma ilha e atrás da casa onde eu morava antes tinha uma cachoeira. Num fim de tarde, descia para a cachoeira com duas ou três de minhas crianças, a Clarissa e o Raul, e também estava a Flora, ou era só a Clarissa e a Flora, não lembro bem. O fato é que tinha um Saci escondidinho dentro da casca da árvore bem no nosso caminho! Ele ficava meio achatadinho dentro do tronco, para ninguém perceber ele. Assim que eu o vi mostrei às crianças, e elas viram também. Ele tentava afundar mais no tronco mas não conseguia, porque o espaço era bem apertado. A Flora lembra até hoje.

Agora o Curupira andou aparecendo no jardim da casa da avó deles, no meio da folhagem, se balançando numa rama, numa manhã bem cedinho, com um chapeuzinho marrom ou verde, pontudo, e os pezinhos assim virados para trás. Também mostrei para as crianças. Acho que só a Flora conseguiu ver.

Já, quando eu era menina, assim de meus oito anos, eu e as outras crianças íamos ver as pegadas luminosas do Lobisomem, na praia, na sexta-feira de lua cheia. Estavam lá de verdade. O coiso mesmo, eu vi de relance, como um cachorro enorme meio branco, sujo de vermelho, assim cor de barro, com olhos vermelhos, o que é diferente é que ele aparece e some de repente na praia.



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