Saci Petroleiro - João Evangelista

 

Recentemente, mais precisamente no dia 25 de abril deste corrente ano de 2007, uma quarta-feira de calor escaldante, pois que deveria ser por volta de uma hora da tarde, fomos chamados para um local da Rodovia Rio - Santos, na altura da Praia de Maresias, em São Sebastião.

Com outros colegas da Transpetro, a subsidiária da Petrobras que cuida do transporte de petróleo, encontrávamos-nos na Praia de Toque Toque Grande e rumamos para o Km 152 da BR 101, surpreendendo-nos ao encontrar uma imensa coluna formada por quinze tubos de ferro de trinta e quatro polegadas e pesando mais de trinta toneladas estendida perpendicularmente ao eixo da rodovia que ali descreve uma curva fechada e em declive acentuado, para quem vai de São Sebastião para Bertioga.

A pesada coluna de tubos emendados havia se desprendido da faixa de dutos OSBAT, que liga o Terminal Aquaviário de São Sebastião à Refinaria de Cubatão, por ocasião da realização de obras naquele sistema dutoviário, sendo que esses serviços compreendiam a substituição do encanamento velho por um novo, como medida de precaução para evitar acidentes com vazamentos de petróleo.

O imenso tubo ficou com aproximadamente a metade do seu comprimento, de aproximadamente cento e oitenta metros, estacionado sobre a rodovia, após ter se fixado num barranco no qual penetrou por mais de seis metros. Com tamanha dimensão e peso, se a coluna tivesse atingido qualquer veículo, poderiam ter ocorrido grandes danos materiais, além de vítimas até fatais.

A explicação para que isso não ocorresse me foi dada pelo motorista de um carro pequeno, de cor branca e que se achava parado bem perto da coluna, no sentido do declive acentuado em direção de Bertioga. Esse jovem, de nome Maurício, que estava com sua companheira, a quem chamava Dani, disse que vinha descontraidamente pela estrada e mais com atenção nas belas paisagens quando avistou, saindo de uma trilha em meio da mata, um Saci, desses pretinhos e com capuz vermelho, o que fez com que ele, entre assustado e curioso, acionasse os freios do veículo, vindo a parar bem junto da imensa tubulação preta que obstruía por completo a rodovia.

De imediato, ele e sua companheira passaram a sinalizar para os demais condutores que lhes vinham atrás, impedindo, assim, que ocorresse um acidente com maiores conseqüências, inclusive mortes.

Do Saci, o Maurício não me mostrou nem sinal, mas tenho que fazer este registro, porque de tão grande acidente não resultou sequer uma vítima leve, permitindo-me observar que, se Deus é brasileiro, o Saci é Petroleiro.

João Evangelista de Melo Neto
São Paulo - SP
melonetoje@uol.com.br


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