Minha visão sobre o Saci- José Afonso Valério Jr.

 

Quais são os motivos para que um povo saia da sua terra, o flagelo da fome? As guerras talvez ou a esperança de encontrar abrigo e sossego para que sua família prospere. Foi assim que 1908 uma família de imigrantes italianos do Veneto chegou a Santos, depois São Paulo, depois Amparo e por último um bairro agrícola da cidade de Itapira, o distrito de Barão Ataliba Nogueira. Vieram e trabalharam nas fazendas de café da região, acontece que um surto de malária pegou esse povo completamente indefeso, alguns morreram, outros conseguiram sobreviver. Dois garotos acometidos pela doença sofreram muito, um caboclo da região dizia que a febre da maleita é tão brava que a gente vê até saci cantar. Um dos garotos, no seu delírio da febre afirmava que o Saci estava do seu lado brincando com ele e com o seu irmão. Pois é... esses garotos privados de qualquer amparo são meu pai José Afonso e o meu tio Antonio. Foi assim que eu conheci a estória do saci, contada pelo meu pai e pelo meu tio.

O engraçado é que sempre associei o Saci ao sofrimento dos dois, hoje entendo que o Saci é um mito, e todo mito traz em si certa dicotomia, por um lado ameniza o sofrimento e dá sentido aquilo que não queremos ou não conseguimos explicar, por outro desloca a realidade dos nossos olhos nos tornando alienados da realidade. No caso, o saci, não é um mito, isso em minha opinião, ele é a minha identidade, torto como garrincha e Alejadinho ,procurando entender quem eu sou e de onde é que eu vim.

Sou grato ao meu pai por ter nascido aqui, nas terras e nas matas do saci, mas para que ele continue a existir devo cuidar para que meus filhos também o conheçam como eu conheci.

Mogi Mirim SP - 05 set 2008


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