Saci Inspirador - José Carlos da Silva Leite

Este episódio aconteceu comigo, ninguém me contou e se contasse talvez eu não acreditasse. Era início da tarde de segunda feira, 27 de outubro, por volta das 13 horas; o dia estava quente com poucas nuvens no céu e não ventava naquele horário.

Antes de sair para o almoço comecei a escrever um texto sobre a importância de se comemorar também o dia do Saci já que o dia 31 se aproximava, seria na próxima sexta. Era desaforo, pois ninguém precisa lembrar para comemorar o Halloween, ninguém esquece.

A idéia era publicar o texto no jornal local da minha cidade, como tenho feito nos últimos dois anos. Sempre tive simpatia pela figura do Saci e mais ainda após conhecer a Sosaci e suas idéias em defesa da cultura popular brasileira, a quem me associei e a partir de então, tudo sobre o nosso querido perneta me interessa.

Ocorre que não conseguia colocar no papel a idéia que me vagava pela cabeça e comecei a achar que tudo o que escreveria seria lugar comum, já teria sido escrito antes. Estava quase desistindo, mas, como era hora do almoço e estava atrasado, acabei salvando o pouco que tinha escrito no computador e fui.

Depois, no caminho de volta do restaurante ocorreu um fato curioso. Mas antes, só para dar uma idéia quero dizer que trabalho numa indústria química que se localiza em uma grande área, mais parecendo um sítio, muita área verde separando os prédios dos departamentos e também algumas áreas de chão batido, terra mesmo. Vinha pensando e por falta de inspiração já estava disposto a deletar aquele começo de texto logo que chegasse à minha sala, ou seja, neste ano deixaria passar em branco a data alusiva ao Saci.

Como disse ha pouco, a tarde estava calma, sem ventos e de repente, acreditem, surgiu a uns vinte metros de onde estava, uma coluna de ar ou um redemoinho, envolvendo tudo que encontrava pela frente: terra, folhas etc.

De súbito, parei e me pus a observar o trajeto daquela coisa, querendo assim evitar ter que cruzar seu caminho. Mas não adiantou, rapidamente veio em minha direção e fui literalmente atropelado por ele e envolvido de tal maneira que foi só poeira, folhas e tudo o mais que carregava. Levei um banho! Só deu tempo de virar e proteger os olhos.
De imediato, senti algo estranho que até hoje não sei descrever, mas, que me fez lembrar do texto que pensava em abandonar e rapidinho fui tratar de me limpar, havia terra até em meus bolsos. Quero dizer também que logo após passar por mim, se desfez.

Ao adentrar em minha sala, continuei sem problemas escrevendo aquele texto imbuído da inspiração que antes me faltava e rapidinho encaminhei-o à redação do jornal para ser publicado e como de fato o foi. Com isso o Saci teve seu dia lembrado aqui na minha cidade, pelo menos por aqueles que se deram ao trabalho de ler a matéria de página inteira, que por sinal, ficou boa.

Mais tarde, relembrando os fatos, me convenci de que aquilo tinha sido obra do Saci, que à sua maneira resolveu me dar uma "forcinha" para levar adiante o tal texto. Quem mais poderia cometer aquela traquinagem de jogar o redemoinho em minha direção, sem chance de escapar?

Não fiquei nem um pouco zangado, mas só uma coisa eu lamento, naquela confusão e preocupado em me defender, esqueci de dar uma olhadela para dentro do redemoinho. Acho que nunca estive tão perto do Saci e também não sei se terei outra chance.

Jose Carlos da Silva Leite
Mogi das Cruzes-SP / Out2008



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