Saci Mamadô

Foi numa pequena cidade do interior paulista, mais precisamente numa das cidades mortas descritas por Monteiro Lobato e localizadas no Vale do Paraíba, que se deu o acontecimento de um causo que, não sendo de minha invenção, vou narrar como me disseram.

O lugar era por demais pacato, somente se acendendo em alegria e agitação por ocasião do carnaval, onde a movimentação, então, era muito maior do que nos feriados dos dias santos de guarda.

O único salão disponível era o do Clube Literário, no qual se reunia toda a elite da cidade para se extravasar ao embalo de momo. Ali brincavam desde a matinê, para a criançada, até a madrugada, para a marmanjada.

Numa das noites, ocorreu um episódio interessante, quando diversas moças, até as tidas como muito castas, tiveram os seios agarrados, ou melhor, abocanhados por um folião mais exaltado. O dito cujo ria-se às gargalhadas e, mal soltando uma foliã desprevenida, se atirava noutra com o mesmo ímpeto de mamar na formosura, não faltando belos e fartos seios à mostra no salão lotado de moças bonitas e bem dotadas de predicativos.

Tanto aconteceu, que o caboclo, ao se jogar sobre os seios de uma bela morena, foi dela apartado pela polícia, sendo dali levado para a delegacia.

Diante de um delegado muito irritado por ter sido importunado em meio de seu sono no plantão, e antes que fosse alvo de mais borrachadas, o negro a quem chamavam Chupeta, foi logo se explicando, ao que dizia e jurava ter agido sob a dominação de uma entidade que havia lhe encarnado, o Caboclo Saci, e, mais acertadamente, do Saci Mamadô.

São Paulo, 13 de maio de 2009

Plínio Soares Brasil




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