O guardião das florestas
É um duende idealizado pelos indígenas brasileiros como apavorante guardião das florestas. A princípio, era um curumim perneta, de cabelos avermelhados, encantador de crianças e adultos, que perturbava o silêncio das matas. Em contato com o elemento africano e a superstição dos brancos, recebeu o cognome de Taperê, Pererê, Sá Pereira, etc. Tornou-se negro, ganhou um gorro vermelho e um cachimbo na boca. Em alguns lugares, como às margens do rio São Francisco, adquiriu duas pernas e a personalidade de um demônio rural que faz travessuras e gosta de enganar pessoas. É o famoso Romão ou Romãozinho.
Na zona fronteiriça ao Paraguai, ele é um anão do tamanho de um menino de 7 a 8 anos, que gosta de roubar crianças dos povoados e largá-las em lugar de difícil acesso. Talvez devido aos vestígios culturais trazidos pelos bandeirantes em suas andanças pelo sul do Brasil, o saci mineiro recebeu, além dessas qualidades do “Yasi Yateré” guarani, um bastão, laço ou cinto, que usa como a “vara de condão” das fadas européias. Sincretizado freqüentemente como o capeta, tem medo de rosários e de imagens de santos. Quando quer desaparecer, transforma-se num corrupio de vento.
A lenda do Saci data do fim do século XVIII. Durante a escravidão, as amas-secas e os caboclos-velhos assustavam as crianças com os relatos das travessuras dele. Seu nome no Brasil é de origem tupi-guarani. Em muitas regiões do Brasil, o Saci é considerado um ser brincalhão, mas em outros lugares é visto como um ser maligno.
Existem três tipos de Sacis: o Pererê, que é pretinho; o Trique, moreno e brincalhão; e o Saçurá, que tem olhos vermelhos. Ele também se transforma numa ave chamada Matiaperê cujo assobio melancólico dificilmente se sabe de onde vem.
O Saci adora fazer pequenas travessuras, como esconder brinquedos, soltar animais dos currais, derramar sal nas cozinhas, fazer tranças nas crinas dos cavalos etc. Diz a crença popular que dentro de todo redemoinho de vento existe um Saci. Ele não atravessa córregos nem riachos. Alguém perseguido por ele, deve jogar cordas com nós em sem caminho que ele vai parar para desatar os nós, deixando que a pessoa fuja. Diz a lenda que, se alguém jogar dentro do redemoinho um rosário de mato bento ou uma peneira, pode capturá-lo, e se conseguir sua carapuça, será recompensado com a realização de um desejo.
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