A Polêmica sobre o Saci Albino

 


Tenho visto pessoas contando e escrevendo causos sobre aparições de Sacis brancos ou albinos. Em primeiro lugar, é preciso esclarecer a veracidade científica dessas narrativas diante da evidente possibilidade da existência de Sacis de todos os matizes, variando do branco leitoso ao negro mais escuro, como se repete no gênero humano e não poderia ser diferente no Homo sapiens v. unipede.
Parece-nos que a predominância da ocorrência do Saci negro, ou vulgar, provém da dominância genética que muito bem é explicada no reino dos seres vivos, tanto vegetais como animais. A herança cultural também pode influenciar no fato das narrativas traduzirem aspectos da questão racial que permeia o desenvolvimento da nossa sociedade. Mas isso é problema para os sociólogos, o que escapa à observação dos meros saciólogos.
Considerando fidedignas todas as narrativas divulgadas sobre a aparição do Saci Albino, é interessante registrar aqui um dos causos mais antigos de registro dessa variação da figura do insigne perneta, como tratava Lobato.
O evento foi ocorrido no Horto Florestal de Campos do Jordão nos idos de 1993, ocasião em que se propagaram notícias da aparição de Sacis branquinhos lá pelas bandas do Paiol, região do horto que faz divisa com a mineradora de calcário denominada Pedra Mármore.
De início, pensou-se que o avistamento dessas criaturinhas esbranquiçadas era ocasionado por estarem eles, os Sacis, impregnados de pó de mármore, o que lhes configurariam aquela cor leitosa que sobressaia nas noites escuras e frias das montanhas jordanenses.
Com o passar do tempo, foram sendo avistados os Sacis brancos por outras regiões do horto florestal, mesmo bem distantes da Pedra Mármore. Até ai, nada de mais, visto que poderiam ser os mesmos indivíduos impregnados pelo pó de calcário e que estivessem em peraltices noutros lugares.
Foi o guarda Ademir Lopes que deu a notícia esclarecedora de que teria avistado os Sacis brancos numa noite em que chovia torrencialmente. E lá estavam eles, alvinhos da silva, como se sempre fossem assim mesmo e nenhuma chuvarada era capaz de modificar-lhes a brancura da pele. Essa aparição foi na Colônia Cunha Freire, um conjunto de casas distante muitos quilômetros da Pedra Mármore.
O causo, verídico como tudo o que contava o guarda Ademir, foi mais ou menos assim: de madrugada, ao adentrar furtivamente sua residência pela porta dos fundos, quando voltava de uma noitada na cidade sob muita chuva, o guarda avistou não só um, mas vários Sacis brancos, o que lhe causou grande susto, levando-o entrar correndo em casa, derrubando tudo o que tinha pela frente. Interpelado por sua esposa, o Ademir foi logo dizendo que tinha acabado de sair para espiar um barulho nos fundos da casa, quando avistou um bando de Sacis, todos eles branquinhos a brincarem com a água que vertia do telhado da varanda, pregando-lhe um grande susto e deixando-o completamente molhado.
Esse fato, indiscutivelmente verdadeiro com era tudo o que contava o guarda Ademir, trouxe uma grande contribuição para o esclarecimento definitivo acerca da veracidade da existência do Saci Albino.

São Paulo, 05/3/2010
João Evangelista de Melo Neto – melonetoje@uol.com.br

 





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