“Da Silva, ou Da Mata...”


Mas se o Saci, ausente dos velhos cronistas do Brasil Colonial, não se faz notar no fabulário do norte brasileiro, fatalmente terá seu substituto. Barbosa Rodrigues escreve no Poranduba Amazonense :

 

... no Sul é Saci tapereré, no centro Caipora e no Norte Maty-taperê. O civilizado, que muitas vezes não entende a pronúncia do sertanejo, que é o mais perseguido por ele nas suas viagens, tem-lhe alterado o nome; já o fez Saci-pererê, Saperê, Siriri, Matim-taperê, e até já lhe deu um nome português o de Matinta-Pereira, que mais tarde, talvez venha a ter o sobrenome “da Silva” ou “da Mata”. Para conseguir seus fins e fazer suas proezas sem ser visto, quase sempre vive o Saci ou Mati metamorfoseado em pássaro, que se denuncia pelo canto, cujas notas melancólicas, ora graves ora agudas, iludem o caminhante que não pode assim descobrir-lhe o pouso, porque, quando procura vê-lo pelas notas graves, que parecem indicar-lhe estar o Saci perto, ouve as agudas, que o fazem já longe. E assim, iludido pelo canto se perde, leva descaminho nunca vendo o animal.

 





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